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Patrimônio Imaterial será tema de jornada durante Festival de Inverno em MG


Evento reunirá representantes de comunidades tradicionais, como a dos Arturos, Reinado do Jatobá e Terreiro Ilê Wopo Olojukan.

Festa dos Arturos, em Contagem: representantes da comunidade vão participar da jornada (Foto: Elias Ramos / Prefeitura de Contagem)

No próximo dia 16, terça-feira, o Conservatório UFMG vai abrigar a 1ª Jornada de Estudos sobre o Patrimônio Cultural Imaterial. Pesquisadores, gestores e representantes de comunidades cujos saberes e práticas foram patrimonializados vão integrar duas rodas de conversa sobre o patrimônio imaterial. Instituída recentemente, a modalidade se caracteriza pelo protagonismo dos atores dos saberes e práticas vinculadas à cultura popular e ao conhecimento tradicional. A jornada integra a 51ª edição do Festival de Inverno da UFMG, e as inscrições podem ser feitas neste site. Os participantes receberão certificado.


A primeira mesa vai tratar dos sentidos locais da patrimonialização, ou seja, como as comunidades lidam com a nova simbologia, o que mudou para elas e qual é a pauta de reivindicações. A conversa vai reunir, entre outras, representantes da Comunidade dos Arturos, do Reinado do Jatobá e do Terreiro Ilê Wopo Olojukan. No segundo encontro, gestores do patrimônio histórico e artístico, estudiosos do tema e representantes de comunidades vão debater os desafios que envolvem a patrimonialização. 

Práticas que não se separam das pessoas “A concepção tradicional de patrimônio abrange, por exemplo, prédios tombados e objetos que saem de circulação para serem exibidos em museus. Nosso desafio é pensar sobre o que acontece com práticas culturais que não podem ser separadas das pessoas, tampouco do que elas decidem e da forma como lidam com os novos significados e usos de experiências, lugares e conhecimentos declarados patrimônio cultural”, afirma a antropóloga Lúcia Campos, professora da Uemg que realiza estágio pós-doutoral na Escola de Música da UFMG. Ela é uma das curadoras da Jornada, ao lado das professoras Leda Martins, da Faculdade de Letras, e Glaura Lucas, da Escola de Música.


Glaura Lucas ressalta a participação dos membros das comunidades, que adotam a categoria do patrimônio imaterial e tomam a iniciativa de reivindicar essa proteção. “É importante conhecer os motivos pelos quais as comunidades desejam a patrimonialização, os sentidos profundos relacionados à vida, ancestralidade e continuidade. O diálogo com as agências de proteção do patrimônio contribui para fortalecer as comunidades e garantir a transmissão de rituais e valores para as próximas gerações".


A 1ª Jornada de Estudos sobre o Patrimônio Cultural Imaterial será aberta pela antropóloga e professora da UFRJ Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcanti, que fará a palestra Caminhos das culturas populares e políticas públicas de patrimônio cultural imaterial. Ela é organizadora, com Joana Corrêa, doutora pela UFRJ, do livro Enlaces: estudos de folclore e culturas populares, que será lançado no encerramento do encontro.


Com informações da UFMG/Itamar Rigueira Jr.