Nos caminhos do Espírito Santo

(by) Eraldo Peres – 29/5/2022

Fotos - Eraldo Peres e Lucas Peres (fotos Drone e foto papagaio)


Ao entardecer na serra dos Pireneus, emoldurada pelas bandeirinhas brancas e vermelhas, a comitiva da Folia do Divino Espírito Santo chega pela estrada principal da fazenda Raizama, uma tradicional fazenda da área rural da cidade de Pirenópolis, na região nordeste do estado de Goiás, a 100 km de Brasília, centro-oeste do Brasil.

A frente da Comitiva e entre as bandeiras do Espírito Santo segue o Senhor Alferes, comandando sua tropa de regentes, embaixadores e cavaleiros que, durante nove dias, levam as mensagens do Divino para fazendas e povoados da região.

Igual a uma caravana medieval, a folia sege com seus mais de 300 foliões, trilhando os caminhos entre o sagrado e o profano, levando as mensagens religiosas e as músicas de folias, misturando as preces com as danças tradicionais da Catira e do Lundu, relembrando histórias que nasceram nos tempos coloniais e que se fortaleceram nas resistências de indígenas e negros escravos.

Realizada há 200 anos e registrada como patrimônio imaterial da cultura Brasileira, a Folia do Divino Espírito Santo chegou ao país por volta do Séc. XVII, trazida pelos colonizadores Portugueses. Celebrada no período da Pentecostes e consolidada como uma das mais profundas e ricas manifestações culturais, a data celebra a vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos de Jesus Cristo, sendo realizada em diversas cidades do País, quando fiéis recorrem ao Divino com pedidos e promessas, em busca dos milagres e bênçãos.

O Divino não é santo nem padroeiro, mais uma divindade para agradecer e festejar. É uma força representada pela pomba branca, pelas bandeiras coloridas e pelos mastros enfeitados em arcos e altares. A chegada em cada pouso, fazenda que recebe a comitiva da folia e oferece comida e abrigo, é marcada pelos giros dos cavaleiros, seguido pelas rezas e músicas em altares ricamente decorados.