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Sob as contas do Rosário


Me considero uma grande privilegiada, por ter tido a oportunidade de vivenciar a riqueza cultural brasileira desde muito pequena. Hoje, quase chegando aos trinta anos, vejo o quanto as influencias que sofri quando criança, por ser filha de uma bailarina e de um músico, neta de duas professoras sendo uma delas artista plástica, me fizeram mergulhar no mundo da arte, para nunca mais sair. Cresci dentro da sala de ballet clássico, escutando os mais belos clássicos da música popular brasileira, e foi em meio a tantos clássicos, que conheci a cultura popular.


A magia da cultura popular foi apresentada a mim através de um grande amigo de minha família, o padrinho do meu irmão, senhor Eurípedes dos Santos (in memoriam), marido, pai, mecânico, amigo e compadre dos meus pais, Eurípedes foi um dos maiores ou talvez o maior responsável pelo meu interesse pela Festa em Louvor a Nossa Senhora do Rosário de Catalão, Goiás.

Eurípedes, o “pi”, como carinhosamente meu irmão, seu afilhado, o chamava e que nós em casa acabamos nos acostumando a chamar foi quem, inicialmente, despertou em mim o interesse para tentar conhecer a magia por detrás de toda aquela movimentação em louvor a uma Santa, chamada Nossa Senhora do Rosário. O “pi”, apesar de todas as dificuldades que enfrentava, estava sempre com um sorriso enorme no rosto, uma alegria que contagiava a qualquer pessoa ao seu redor, alegria que mesmo criança eu percebia que estava relacionada com a fé, a devoção e o amor que ele sentia por Nossa Senhora do Rosário. Eu, criança, via nos olhos brilhantes daquele negro, que a vida já por tantas vezes havia maltratado, esperança. Este ser humano me ensinou e me ensina a respeito da história, da memória e da importância da preservação de nossas raízes culturais.

Meu envolvimento com a arte e minhas curiosidades me levaram para o curso de Arquitetura e Urbanismo, onde aprendi mais sobre cultura e sobre patrimônio cultural. Mas foi no Mestrado, o lugar onde pude mergulhar nesse mundo fascinante e entender alguns aspectos dessa cultura maravilhosa. Realizei o trabalho de mestrado, no programa em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável da Escola de Arquitetura da UFMG, na capital mineira, onde defendi a dissertação intitulada: “SOB AS CONTAS DO ROSÁRIO: objetos e lugares da Festa em Louvor a Nossa Senhora do Rosário em Catalão, Goiás”. Ao realizar a pesquisa de campo para o trabalho tive a honra e a oportunidade de conhecer as pessoas mais envolvidas com a Festa, comecei a me envolver e contribuir para o seu reconhecimento e preservação. Assim, chegaram até mim o Eraldo e o Sérgio, dois fotógrafos em busca de adentrar no mundo mágico da Festa.

Não pensei duas vezes em colaborar com o trabalho, afinal é através dos registros que podemos (re)conhecer a nossa história, manter vivos os laços com nossos antepassados, preservar a nossa memória e manter os laços de pertencimento. Sejam registros documentais, fotográficos, ou outros, todos nos ajudam nos aspectos citados. Na Festa existem vários personagens, várias histórias e até lendas em torno desses personagens, a maioria pessoas idosas, que realizam o trabalho de passar os ensinamentos das tradições a cada nova geração. Registrar a trajetória de vida e de participação na manifestação cultural dessas pessoas, desses mestres da nossa cultura, é um modo de mantermos nossas raízes vivas. Agradeço a todos esses profissionais que registram a nossa festa a cada ano, pois esses registros são utilizados não só para lembrarmos com saudade dos que já se foram, mas também para estudarmos como a festa acontecia, como ela evoluiu, entender as mudanças que ocorreram... Esses registros nos ajudam a desvendar os mistérios escondidos sob o Rosário, mistérios que talvez nunca consigamos desvendar por completo, mas que mantem viva a fé e o amor de milhares de congadeiros que todos os anos saem embaixo de sol e chuva, para louvar e agradecer.

Obrigada a todos que nos ajudam a manter nossa história viva!

Salve o Rosário!!!!

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Janaina Faleiro Lucas Mesquita é Arquiteta e Urbanista (PUC GO) e Mestra em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável (UFMG).

#janainafaleiro #congada #cultura #nossasenhoradorosário

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Projeto Finalista

PRÊMIO RODRIGO

MELO FRANCO

IPHAN - 2019

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Realização / Execution

Apresentação / Presentation

Fotografia brasileira, diversidade cultural, eraldo peres
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