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Marujada, a festa do Santo Preto Bragantino


Quando os fogos brilham no céu, durante o amanhecer do dia 25 de dezembro, é sinal que o cortejo de Marujos e Marujas iniciam sua caminhada em direção a Igreja de São Benedito. Tradição realizada a mais de 200 anos, a Marujada tem suas origens no encontro cultural das matrizes indígena, africana e portuguesa, acontecendo anualmente durante o ciclo das festas natalinas, em louvor a São Benedito, chamado o “Santo Preto Bragantino”.


Fruto do movimento de negros escravos que nos anos de 1798 se reuniram em torno da Irmandade de São Benedito, a festa reúne hoje mais de 150 mil pessoas nos dias de sua celebração, na pitoresca cidade de Bragança, localizada na região atlântica do estado do Pará, norte do Brasil.

Como orienta a tradição, o Natal é o dia de vestir azul em homenagem ao nascimento do Menino Jesus. Porém, é no dia 26 que o vermelho marca seu predomínio nos salões das igrejas e nas ruas da cidade, aquecendo o clima para a realização da grande festa.


Caminhando no fim do cortejo junto ao grupo dos homens, José Batista, 62 anos, Capitão da Marujada, fala que “acompanhar a procissão é uma forma de agradecimento e de pagar suas promessas pelos milagres recebidos”. E complementa, “eu tenho o cuidado de manter a tradição da Marujada e de trazer os jovens para o nosso lado, assim poder renovar nossa tradição para um futuro melhor”.

A frente do cordão de Marujas e carregando de forma imponente o seu bastão, segue Maria de Jesus, 59 anos, a Capitoa que tem a responsabilidade de organizar o cortejo e cuidar para que nada saia errado. E ressalta, “são as mulheres que comandam a Marujada, os homens são só os seguidores. É a Capitoa que dá as ordens, para que nada aconteça fora dos costumes”.


Se no dia de natal o azul é a cor que predomina, é no dia 26 de dezembro que tudo fica tomado de vermelho. Nesse dia são milhares de pessoas chegando desde o amanhecer, vindo das cidades vizinhas, das zonas rurais e das áreas ribeirinhas. São carros, ônibus e barcos chegando com as famílias para, no final do dia, ocuparem as ruas da cidade e sair em procissão.

Com os seus chapéus de fitas coloridas, as Marujas tomam lugar na grande fila que se forma em frente a igreja matriz. Próximo a uma imagem de São Benedito, a Maruja Clara Padilha Gomes, 77 anos, lembra que “é muito feliz poder acompanhar a procissão, pois foi por causa de uma promessa para meu filho que estou aqui todos os anos”. E complementa, “enquanto tiver vida serei uma devota, pois a pessoa tem que ter fé”.


O sol se põe por trás do porto do rio Caeté, em frente ao largo da igreja matriz. O dia vai terminando e com ele, milhares de devotos seguem pelas ruas das cidades, amontoados junto ao andor que leva a imagem de São Benedito carregando em sua mão esquerda o pequeno Menino Jesus. As ruas permanecem cheias com um intenso colorido e com o vai e vem de Marujos e Marujas, que seguem agradecidos e com a certeza de terem cumprido suas obrigações com o “Santo Preto Bragantino”.

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Eraldo Peres é fotógrafo documentarista e autor do projeto Filhos da Terra.

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